Síndrome de Burnout
Trabalho com atendimento ao cliente e faz uns 3 meses que não consigo mais desligar. Domingo a noite ja começo a sentir dor no estomago pensando na segunda. Não é tristeza, é mais um cansaço que não passa nem dormindo. Minha chefe fala que é só fase. Isso é caso de psicologo ou eu que preciso tirar ferias? Como funciona a terapia pra isso?
Respostas dos profissionais
Isabelle Emilia Bezerra Dantas
CRP 17/1912Rio Grande do Norte
★★★★★ 5,0 (1 avaliação) · R$ 80 /sessão
Os sintomas que você descreve como a incapacidade de se desligar do trabalho, a somatização física (dor no estômago no domingo à noite) e o cansaço persistente que não passa com o sono são sinais claros de esgotamento profissional (síndrome de Burnout) e estresse crônico.
O cansaço comum é pontual e se resolve com alguns dias de descanso. Já o esgotamento profundo não desaparece apenas com férias: ao retornar ao trabalho, a ansiedade e a sobrecarga reaparecem na mesma intensidade. Minimizar esses sintomas como "apenas uma fase" costuma adiar o cuidado necessário e agravar o quadro. Sim, esse é um caso que exige acompanhamento psicológico.
Não espere o esgotamento se intensificar para começar a cuidar de você. Se quiser dar o primeiro passo para entender esses sintomas e recuperar sua qualidade de vida, convido você a agendar uma sessão comigo para conversarmos e iniciarmos esse processo.
Pelo que você descreve, faz sentido procurar um psicólogo, e não necessariamente escolher entre “terapia” ou “férias”. As duas coisas podem ter funções diferentes.
O fato de você estar há cerca de três meses sem conseguir se desligar do trabalho, antecipar a segunda-feira já no domingo, sentir sintomas físicos e permanecer cansado mesmo depois de dormir merece atenção. A OMS descreve o burnout como um fenômeno relacionado ao estresse crônico no trabalho, marcado por exaustão, distanciamento mental do trabalho e redução da eficácia profissional.
Mas esses sintomas não permitem concluir sozinhos que seja burnout. Na avaliação psicológica, é importante entender também como você está fora do trabalho, seu sono, ansiedade, humor, rotina e o que exatamente está acontecendo no ambiente profissional.
Na TCC, por exemplo, a terapia pode ajudar a identificar o ciclo que está mantendo esse sofrimento:
o que acontece no trabalho → quais pensamentos e cobranças aparecem → como seu corpo reage → como você tenta lidar → e o que faz essa tensão continuar mesmo quando o expediente termina.
A partir daí, são trabalhadas estratégias de manejo do estresse, limites, pensamentos automáticos, organização da rotina e formas mais saudáveis de responder às demandas.
As férias podem ser importantes para recuperação, mas, se a fonte do problema continuar quando você voltar, o descanso sozinho pode não resolver tudo. Por isso, vale olhar para a situação agora, antes que ela se intensifique.
E não precisa esperar chegar ao ponto de não conseguir trabalhar para buscar ajuda.
O fato de você já perceber que não está conseguindo “desligar” é motivo suficiente para cuidar disso. ❤️
Três meses não é "só uma fase". Quando o corpo começa a antecipar a segunda-feira com dor de estômago já no domingo à noite, e o cansaço não melhora nem com sono, ele está mostrando que algo está pesado demais por tempo demais, você mesmo percebeu que não é tristeza, essa observação é importante. Muitas vezes o sofrimento ligado ao trabalho aparece como esgotamento, tensão e sintomas físicos, e não como choro ou desânimo.
Sobre a pergunta "psicólogo ou férias?", a resposta é que não precisa escolher entre uma coisa ou outra. As férias podem trazer um alívio real, descansar é importante! Mas, se o que pesa é a forma como o trabalho acontece e como você tem lidado com ele, o cansaço costuma voltar pouco depois que você volta, a terapia ajuda justamente a entender o que está acontecendo com você, e não só a suportar melhor.
Você também pode consultar um clínico geral, dor de estômago e cansaço persistente podem ter várias causas, é importante investigar questões físicas junto com o acompanhamento psicológico.
Sobre como funciona a terapia nesse caso, geralmente são encontros semanais de cerca de 50 minutos. Nas primeiras sessões, o foco é entender a sua história com esse trabalho o que pesa mais é o volume, o tipo de cobrança, o contato constante com pessoas insatisfeitas, ou a dificuldade de impor limites, e como isso tem sido vivido por você, a partir daí, o processo ajuda a reconhecer seus limites, reorganizar a relação com o trabalho e tomar decisões com mais clareza. Isso pode ser ajustar a rotina, conversar com a liderança ou até repensar o lugar em que você está. Se for necessário, o psicólogo também pode indicar uma avaliação com psiquiatra ou orientar sobre afastamento, não existe mágica, mas costuma haver alívio já nas primeiras semanas, só de ter um espaço para falar sobre isso sem ser minimizado.
Por fim, o que sua chefe diz não muda o que você sente. Seu cansaço é real, não importa como as pessoas no trabalho enxergam isso. Se puder, busque ajuda agora. Não espere chegar ao limite.
Outras dúvidas sobre Síndrome de Burnout
- Esgotamento de quem tem negócio próprio: é burnout?
- Esgotamento na enfermagem: como saber se é burnout?
Tem uma dúvida parecida? Envie a sua e um psicólogo responde.
Enviar minha pergunta